História de Enaeon

No início haviam somente os dragões. Eles eram senhores, povoando em massa tudo o que hoje é chamado de Enaeon. Não haviam outros que pudessem enfrentar as poderosas sociedades dracônicas. Construídas sobre o próprio plano da existência, grandes construções elementais flutuavam pelo Nada.

Esse era o Tempo dos Escamados. Seres dotados de inteligência muito superior ao de qualquer mortal, esses reptilianos não só eram ótimos predadores como também eram mestres no poder arcano. Os religiosos não gostam dessa ideia, mas muitos dizem que a magia foi inventada nessa época, pelos próprios dragões. Seu poder provinha dos planos elementais, e com esse poder eles suprimiam todas as outras criaturas. Nada do que conhecemos existia nessa época. Não existiam humanos, elfos e anões. Não existiam animais como os de hoje, não existiam florestas como as nossas. Tudo era consumido pela sede dos dragões.

Mas algo iria mudar essa situação, a vinda dos Grandes Guerreiros. Originados em planos de existência superiores, viram Enaeon como um grande potencial, belo e inexplorado, suprimido pela tirania da existência dos dragões. Nove eram os senhores desses seres, nove que hoje chamamos de deuses. E para cada deus, um exército. Trajavam armaduras e armas de metais: Garuga e seus arautos de cobalto, Kuxyden e os invocadores de ouro, Erisdar e seus emissários de orium, Nveryll e seus guerreiros de adamantium, Bessonth e seus espadachins de bronze, Heralth e seus cavaleiros de prata, Xyandor e sua infantaria de aço, Axazz e seus arqueiros de mercúrio, Tsitul e seus lanceiros de mitral. E foi com essa força massiva que os Grandes Guerreiros iniciaram a Guerra da Criação.

O poder dessas entidades era inimaginável, mesmo assim não foi uma batalha fácil. Enormes dragões enfretaram os exércitos metálicos com auxílio do poder elemental dos quais eram mestres: labaredas elementais foram conjuradas do Plano do Fogo, enormes e furiosas ondas de água foram invocadas do Plano da Água, quantidades gigantescas de terra foram sugadas do Plano da Terra, e furacões e tornados foram trazidas do Plano do Ar. Eras foram consumidas nessa batalha de inimaginável magnitude. Cada vez mais, o tecido que separava o plano da realidade se afinava devido às conjurações elementais. O panteão decidiu então que era necessário agir rapidamente ou a própria existência do plano material estaria em risco.

Num último esforço para acabar com o entrave, os deuses sacrificaram algo que muito prezavam, sua projeção material. Os dragões foram cercados e uma última investida foi executada. Como resultado dessa ação, uma grande explosão ocorreu e praticamente tudo o que existiu foi transformado. Pelo menos, tudo o que era material. Como uma força motora de Enaeon, os deuses agora permaneciam de maneira indireta. Sua consciência foi transformada em valores, sua vontade em destino. E assim, os deuses venceram os dragões.

Com as eras, vieram as criações dos deuses, e com elas a civilização em que vivemos hoje. A partir de toda a matéria que foi trazida dos planos elementais, Tsitul recriou a vida, tranformando-a em algo estável. Xyandor forjou o planeta de Garthoerin, para que as criações pudessem nele viver.

Axazz então criou os humanos. Os primeiros a habitarem o planeta se espalharam com rapidez. Descobriram que não eram as únicas criaturas inteligentes, pois Xyandor havia forjado também anões, criaturas que, por compartilharem seu criador, amavam o planeta de uma maneira intensa.

Dos planos vizinhos também vieram criaturas, que foram acolhidas pelos deuses. Eladrins vieram da Agrestia das Fadas, e foram acolhidos por diferentes deuses. Criaturas mágicas e de origem feérica se adaptaram ao longo do tempo a um mundo com diferentes características. Os abençoados por Erisdar ou Nveryll se tornaram os elfos. Aqueles que seguiram os caminhos de Garuga se tornaram os drows. E os que foram orientados por Kuxyden se tornaram os gnomos. Da mesma maneira, os shadar-kai escaparam do Pendor das Sombras e Garuga os acolheu nas regiões ermas de Garthoerin. Além destas, muitas criaturas vieram a Garthoerin e Enaeon prosperou.

A sociedade humanóide de Garthoerin atingiu seu apogeu com o Grande Império, uma vasta região foi unificado sob um único líder: Peot, o Épico. No coração da terra se localizava a Cidade Imperial de Umbria, onde permaneciam os nove sumo-sacerdotes que serviam ao Imperador em forma de conselho.

Por 8100 anos esse império prosperou, até que um poder maligno inimaginável destruiu toda a sua base. A Cidade Imperial foi destruída e abandonada, Peot desapareceu para sempre e a união continental se desmantelou por completo. Assim ocorreu há mais de 450 anos, e assim vive a sociedade de hoje: descentralizada e sem glória.

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